terça-feira, 19 de junho de 2012

Bangkok - 1906/2012

O último dia em Bangkok foi de visita à Burapha University, uma das maiores universidades da Tailandia. O foco da visita foram programas de desenvolvimento voltados a SMEs desenvolvidos pela Escoa de Negócios da Universidade, inclusive um curso de mestrado em gestão de pequenas empresas.


Interessante o lema da universidade: "Ganhar sabedoria assegura felicidade". Seguramente, em sintonia com os princípios budistas.


Eles ensinam na escola de negócios a “Sufficiency Economy Philosophy”, e usam esta "doutrina" como base dos cursos lecionados pela escola – É uma filosofia que enfatiza o caminho do meio como um princípio de conduta apropriado que deve ser predominante em todos os níveis da sociedade. Acreditam que foi este princípio que contribuiu, em parte, para que o País superasse a crise da Ásia. Entretanto, ficamos com a impressão de que há controvérsias. Quando questionamos sobre detalhes da aplicação deste princípios e seus benefícios, alguns dos professores presentes sorriram e passaram uma impressão de que este é o princípio propalado pelo Rei, e portanto, não deve ser questionado, mas que a realidade não seria exatamente esta.


Além disso, também conhecemos detalhes de um programa chamado New Entrepreneurs Creation, que visa preparar empreendedores em aspectos comportamentais e de métodos de gestão e ao final do qual os "alunos" saem com a empresa montada.


Por fim, a universidade difere muito da realidade que encontramos na Coréia do Sul. Enquanto na Coréia há um forte foco em inovação e desenvolvimento de novas tecnologias, aqui se percebe a totalidade das ações voltadas ao apoio às SMEs em seus aspectos de gestão.


No geral, Coréia do Sul e Tailândia apresentam realidades bem diferentes. Pra terminar, algumas impressões finais sobre a Tailândia:


  •  Gritante diferença cultural em relação ao que vimos na Coréia do Sul. Eles mesmos consideram a Coréia como o exemplo a ser seguido. O país e a capital Bangkok têm uma aura de terceiro mundo (ou de país em desenvolvimento). O transito é caótico, a cidade, em geral, é feia e mal-cheirosa, com fios e cabos se amontoando de forma assustadora nos postes.
  • A população é amistosa e todos adoram o Brasil, especialmente nosso time de futebol.
  • As políticas são claramente assistencialistas, mais em sintonia com o que fazemos de forma predominante hoje no Brasil. Isso suscitou a seguinte reflexão: queremos ser uma Coréia do Sul ou uma Tailândia quando crescermos como país, no que tange ao desenvolvimento de pequenos negócios? Se continuarmos fazendo o que estamos fazendo, nosso futuro não estaria atrelado ao que ocorre na Tailândia? Se queremos transformar, não deveríamos fazer as escolhas necessárias já para buscar um caminho inspirado pelo que fez a Coréia do Sul, focado em competitividade internacional e inovação de fato?
  • A indústria mais desenvolvida é a do turismo. Fora isso, apenas agricultura merece destaque. O país não tem indústria inovadora e a sua base são indústrias estrangeiras que se instalam atrás dos baixos custos de mão de obra.
  •  Ainda que com a "aura terceiro mundista" predominando, o que vimos de infraestrutura deixa o Brasil há anos-luz. Começando pelo aeroporto, grande, novo, estruturado e muito maior e melhor que qualquer aeroporto brasileiros. As estradas são largas, com varias faixas de rolagem e com asfalto em perfeito estado (quase todas com pedágio).
  • O país está imerso em um confuso equilíbrio político. Sofrem tremendamente com as enchentes e com a instabilidade política. 
  • Indústria automobilística é dominada pelas fábricas japonesas e, em menor escala americanas. Sul coreanos haviam entrado no mercado mas recuaram na crise da Ásia e nunca mais conseguiram recuperar mercado.
  • Eles se posicionam como eixo central no relacionamento com os vizinhos (notadamente mais pobres). Mianmar, Filipinas, Laos, Cambodja e Vietnã estão sob seu raio de influência.




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