segunda-feira, 11 de junho de 2012

Seoul - 11-06-2012

Acabou a moleza, começou o trabalho. Dia de visita a duas instituições e discussões para registro do aprendizado, conforme previsto em nossa metodologia da missão.

Começamos, pela manhã, no Korea Small Business Institute. Fomos atendidos pelo diretor de planejamento e pesquisa e por um pesquisador nesta instituição que desempenha o papel de "braço" de pesquisa no sistema de apoio às Pequenas Empresas na Coréia do Sul. Eles não atendem ao cliente final (às MPEs), sendo essa uma função de outras instituições dentro da estrutura de suporte da Coréia. Seu papel, eminentemente, é desenvolver estudos que permitam (i) formular políticas para prover às pequenas empresas coreanas o que elas necessitam e; (ii) desenvolver programas de formação, capacitação e desenvolvimento focados especificamente no CEO das pequenas empresas.

Como resultado das políticas formuladas por estas pesquisas, por exemplo, foi instalada uma lei na Coréia para proteger os pequenos negócios do varejo, especificamente pequenos supermercados e lojas de conveniência. Por essa lei, as grandes redes (Wal-marts da vida) não podem mais permanecer abertos 24 horas por dia, devem fechar sempre à meia-noite e, além disso, devem fechar as portas em finais de semana alternados, período em que apenas os pequenos negócios podem continuar operando. Essa iniciativa visa prover os pequenos negócios de facilidades que permitam a eles sobreviverem na injusta competição com os grandes players do segmento.

A segunda instituição do dia foi o Korea Eximbank, o banco de exportação e importação da Coréia. No banco, eles desenvolvem o programa Hiden Champions, que tem objetivos claramente definidos: em 10 anos, levar um grupo de 100 médias empresas (os hiden champions) a ter uma participação de 8,1% na exportação do país, a responder por 80% dos empregos da população jovem e a acrescentar 2,0 bilhões de dólares ao PIB do país, o que representa 2% do PIB da Coréia em 2010. Aqui percebe-se que o conceito de pequena empresa deles é muito relativo. Na Coréia do Sul, as grandes empresas são entendidas como os grandes conglomerados, como Samsung ou LG. Abaixo dos conglomerados, estão empresas com potencial de faturamento entre USD 500 milhões e USD 1 bilhão. Ou seja, algo bem distante da realidade das nossas pequenas empresas brasileiras. Mas ainda assim, alguns aprendizados se destacam. Talvez o mais relevante seja o sucesso potencial de iniciativas que têm foco claramente definido. Após a segunda guerra a Coréia do Sul era um dos países mais pobres da Ásia. Analisaram sua realidade e concluíram que o país não tinha muitas alternativas, pois é pequeno e não tem recursos naturais. Portanto, a única saída para a Coréia do Sul seria importar insumos, recursos e materia prima, processar agregando valor através, principalmente, de tecnologia, e exportar para outros países. Em outras palavras, era preciso transformar a Coréia do Sul em um país exportador. O resultado, todos conhecemos.

O Eximbank escreveu um papel fundamental nesta trajetória. Primeiro, focando no financiamento de infra-estrutura, num ciclo de 11 anos. Nos 12 anos seguintes, o foco foi fomentar a globalização da economia e as exportações das empresas coreanas. Durante a crise asiática, o banco atuou no suporte aos bancos privados e às empresas para que pudessem resistir à crise. E finalmente, nos últimos 12 anos, têm buscado desenvolver e sofisticar as soluções financeiras colocadas à disposição dos seus clientes. Uma das estratégias comumente utilizadas é financiar compradores de produtos Coreanos mundo afora. Em outras palavras, se um grande comprador em um país qualquer pretende comprar grandes somas de empresas coreanas, o banco financia o comprador, que paga à empresa coreana pelos seus produtos com o próprio dinheiro coreano, fazendo com que, no frigir dos ovos, o recurso retorne ao país.

Nos últimos anos, o Eximbank tem aumentado seu foco em pequenas empresas a fim de reduzir a dependência dos grandes conglomerados coreanos.

Finalmente, algumas observações sobre a Coréia em geral:

- A comida é de lascar... Almoçamos hoje em um churrasco coreano, que consiste em uma panela com carvão, uma grelha em cima e em cima da grelha... panceta. Sim, barriga de porco. Sem tempero! O tempero vem das dezenas de travessinhas com coisas tremendamente apimentadas ou doces onde o bacon gorduroso deve ser mergulhado. Tudo é apimentado ou doce. E a aparência, digamos, é controversa. Pra quem não tem um espírito muito aventureiro pra comida, é jogo duro...
- A tensão entre Coréia do Norte e Coréia do Sul faz parte do cotidiano dos Sul-Coreanos. Segundo nosso guia, o Brian, caças sul-coreanos patrulham o céu do país de forma permanente. Os norte-coreanos fizeram uma represa ao norte que, ao que tudo indica, pode alagar Seoul se for rompida. Pra se prevenir, os Sul-Coreanos botaram dinheiro do próprio bolso, numa espécie de super-vaquinha (que no caso seria uma vacona) para construir uma represa abaixo daquela, em território sul-coreano, como medida de contenção;
- Seoul é uma metrópole impressionante. Visivelmente próspera e com muita grana circulando;
- O metro de Seoul é dos mais organizados do mundo. Estruturado com cores em suas oito linhas, é rápido, baratíssimo (90 centavos de dólar para circular na cidade) e eficiente;
- Os coreanos consomem com vontade. Mas os preços são caros! Com exceção de computadores, o resto  não vale a pena ser comprado;
- Táxi é baratíssimo. A capital é dividida pelo rio Han. O Norte, onde estamos hospedados, é mais antigo. O Sul, mais moderno e é onde estão os restaurantes mais descolados. Uma corrida de táxi de Norte a Sul, que leva cerca de 30 minutos, não custa mais que USD 7.

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