Pois é já estamos no aeroporto aguardando o vôo para
Cingapura e ainda não fizemos um único post sobre a Malásia. Portanto, vamos
tratar de recuperar o tempo perdido.
Chegamos a Kuala Lumpur na noite do dia 19, já quase dia 20,
no vôo da Malaysian Airlines vindo de Bangkok. Escrevo já de partida da
Malásia, portanto, já posso tecer algumas conclusões que não poderia no
primeiro dia: a Malásia nos impressionou desde o momento em que chegamos até
agora, quando já estamos de saída. Me arrisco a afirmar que foi o ponto alto da
viagem até aqui. Kuala Lumpur é uma cidade espetacular. Moderna, cosmopolita,
viva, avenidas largas, belíssima arquitetura e, o mais importante, um povo
tremendamente hospitaleiro que faz toda a questão de receber muitíssimo bem.
Concluímos que ao contrário do que acreditávamos, valeria a pena ter ficado
mais tempo aqui e menos em Bangkok.
Começamos a quarta-feira no SME Bank, banco Malaio de apoio
aos pequenos negócios. Aliás, por aqui os bancos de desenvolvimento, como eles
chama, são divididos por função (comércio, agricultura, pequenas empresas), de
modo a terem foco preciso e evitarem sobreposição. Também vale mencionar que
embora o banco tenha que dar resultado financeiro (leia-se lucro), esta não é a
sua prioridade. O principal papel é ajudar a desenvolver a economia através do
apoio a pequenas empresas. E, se uma empresa não paga seu empréstimo, a
primeira preocupação do banco não é recuperar o recurso, mas sim, recuperar a
empresa, apoiá-la, saber porque o financiamento não pode ser pago, para aí sim,
pensar na questão financeira.
Como outras instituições por aqui, o crédito fornecido pelo
banco também está sempre acoplado a consultoria e capacitação para a aplicação
do recurso. Talvez isso ajude a explicar a taxa de insucesso das empresas
atendidas pelo banco. Embora eles não tenham estatísticas precisas, o diretor
com quem conversamos estima que apenas 10% das empresas atendidas pelo banco
acabam morrendo no médio prazo. Eles usam a expressão hand-holding . Em outras palavras, eles pegam
as empresas pela mão para que caminhem juntos, e ASSUMEM RESPONSABILIDADE
EFETIVA pelo sucesso da empresa.
No princípio de sua atividade (que data de 1974), o banco
teve forte inclinação assistencialista. Seu papel predominante era apoiar
pequenas empresas, independente do seu setor de atividade ou condição de
competitividade. Com o passar do tempo, esse papel foi se transformando e agora
está focado em, só pra variar, EMPRESAS COMPETITIVAS com potencial exportador.
Nos chamou a atenção
fato de que como na Coréia do Sul e na Tailândia, também aqui eles
possuem um segmento de médias empresas, que não são mais micro e pequenas mas
também ainda não são grandes, e portanto, continuam precisando de apoio.
O SME Bank também possui uma espécie de incubadora chamada
Entrepreneur Premise Bank. Em resumo, o banco possui estrutura própria de condomínios
para alojamento de pequenas empresas que podem ficar por ali entre 5 e 9 anos
pagando um aluguel bastante favorável e aplicando o recurso fornecido pelo
banco na forma de empréstimos. Ao se instalar ali, as empresas contam com
assessoria permanente do banco. E o mais interessante, é que uma empresa é
considerada graduada quando está pronta para ABRIR SEU CAPITAL. Também é
interessante entender que essas incubadoras (que posseum espaço para mais de
400 empresas simultaneamente, em vários pontos espalhados pelo país) não tem
conotação tecnológica, mas sim, foco em empresas potencialmente competitivas.
Visitamos uma dessas instalações e conversamos com um empresário que compra
kits de avião americanos e os monta na Malásia (aviões voltados ao lazer), e outra
empresária que produz biscoitos e cookies. Percebemos que a realidade presente
no ambiente de negócios é muito mais simples que no Brasil. Aliás, como nos
outros países que visitamos, aqui também eles usam o ranking Doing Business
como medida explícita da competitividade do país e estabelecem metas em torno
disso. Outra aspecto relevante é que no ambiente deles, a competitividade não
se mede pelo suposto nível de inovação decorrente de automação ou coisa do
gênero. A empresa de biscoitos, por exemplo, é assustadoramente artesanal para
os padrões convencionais. Por exemplo, o processo de embalagem dos cookies é
feito manualmente, com pessoas dedicadas exclusivamente à tarefa de arrumr os
cookies nas embalagens. Apesar disso, a empresária (que possui certificação
Halal, necessária para vender alimentos para mercados muçulmanos), exporta
SETENTA POR CENTO da sua produção para a China e já foi até vítima de pirataria
por uma grande empresa do ramo por lá. A outra empresa, a de aviões, produz 3
aviões por ano, ao custo de USD 200.000 e os exporta TODOS para a Austrália.
A tarde, após a incursão ao SME Beank e uma das instalações
da sua “incubadora”, seguimos para o MPC - Malaysia Productivity Center. Para
traçar um paralelo familiar para a maioria, eles podem ser comparados à
Fundação Nacional da Qualidade, no Brasil. Sua missão é impulsionar a competitividade
das empresas Malaias através de melhoria de processos. Da mesma forma que o SME
Bank, adotam o ranking Doing Business (que usamos de parâmetro para a
construção das nossas missões) como balizador das suas atividades para melhorar
de posição nos vários aspectos contemplados no ranking. O foco da instituição
também evoluiu de forma significativa ao longo dos anos, acompanhando a
necessidade do país em termos de alavancagem das suas empresas
- Anos 60 – Treinamento em gestão e serviços de aconselhamento
- Início dos anos 90– pesquisas e desenvolvimento de sistemas produtivos
- 1995 – 2000 - Produtividade e aumento de eficiência
- Início dos anos 2000 - Benchmark e melhores práticas
- 2005-2010 – Competitividade e inovação
- 2010-2015 – Alto impacto, produtividade e drivers de inovação
Enfim apesar do cansaço extremo (que se acentuará nos
próximos dias, como comentarei nos próximos posts), temos a sensação de que as lições
da Malásia serão riquíssimas. Se a Coréia do Sul está muito a nossa frente em
termos de estratégias de desenvolvimento de pequenas empresas e a Taiândia está
no extremo oposto, nos parece que a malásia está no meio de um processo
evolutivo necessário rumo a saltos quânticos de competitividade, que tem muito
a ver com aquilo que entendemos como necessário para nosso país
Essa ideia de MEDIA empresa é fantástica! Temos um gap no Brasil em relação a esse segmento. Penso que há grandes oportunidades de oferta de serviços diferenciados e bastante prósperos. Mas o nome Sebrae não tem aderência às necessidades delas, certamente. Rosângela A.
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