sexta-feira, 22 de junho de 2012

Kuala Lumpur - 20/06/2012


Pois é já estamos no aeroporto aguardando o vôo para Cingapura e ainda não fizemos um único post sobre a Malásia. Portanto, vamos tratar de recuperar o tempo perdido.

Chegamos a Kuala Lumpur na noite do dia 19, já quase dia 20, no vôo da Malaysian Airlines vindo de Bangkok. Escrevo já de partida da Malásia, portanto, já posso tecer algumas conclusões que não poderia no primeiro dia: a Malásia nos impressionou desde o momento em que chegamos até agora, quando já estamos de saída. Me arrisco a afirmar que foi o ponto alto da viagem até aqui. Kuala Lumpur é uma cidade espetacular. Moderna, cosmopolita, viva, avenidas largas, belíssima arquitetura e, o mais importante, um povo tremendamente hospitaleiro que faz toda a questão de receber muitíssimo bem. Concluímos que ao contrário do que acreditávamos, valeria a pena ter ficado mais tempo aqui e menos em Bangkok.

Começamos a quarta-feira no SME Bank, banco Malaio de apoio aos pequenos negócios. Aliás, por aqui os bancos de desenvolvimento, como eles chama, são divididos por função (comércio, agricultura, pequenas empresas), de modo a terem foco preciso e evitarem sobreposição. Também vale mencionar que embora o banco tenha que dar resultado financeiro (leia-se lucro), esta não é a sua prioridade. O principal papel é ajudar a desenvolver a economia através do apoio a pequenas empresas. E, se uma empresa não paga seu empréstimo, a primeira preocupação do banco não é recuperar o recurso, mas sim, recuperar a empresa, apoiá-la, saber porque o financiamento não pode ser pago, para aí sim, pensar na questão financeira.

Como outras instituições por aqui, o crédito fornecido pelo banco também está sempre acoplado a consultoria e capacitação para a aplicação do recurso. Talvez isso ajude a explicar a taxa de insucesso das empresas atendidas pelo banco. Embora eles não tenham estatísticas precisas, o diretor com quem conversamos estima que apenas 10% das empresas atendidas pelo banco acabam morrendo no médio prazo. Eles usam a expressão  hand-holding . Em outras palavras, eles pegam as empresas pela mão para que caminhem juntos, e ASSUMEM RESPONSABILIDADE EFETIVA pelo sucesso da empresa.

No princípio de sua atividade (que data de 1974), o banco teve forte inclinação assistencialista. Seu papel predominante era apoiar pequenas empresas, independente do seu setor de atividade ou condição de competitividade. Com o passar do tempo, esse papel foi se transformando e agora está focado em, só pra variar, EMPRESAS COMPETITIVAS com potencial exportador.

Nos chamou a atenção  fato de que como na Coréia do Sul e na Tailândia, também aqui eles possuem um segmento de médias empresas, que não são mais micro e pequenas mas também ainda não são grandes, e portanto, continuam precisando de apoio.

O SME Bank também possui uma espécie de incubadora chamada Entrepreneur Premise Bank. Em resumo, o banco possui estrutura própria de condomínios para alojamento de pequenas empresas que podem ficar por ali entre 5 e 9 anos pagando um aluguel bastante favorável e aplicando o recurso fornecido pelo banco na forma de empréstimos. Ao se instalar ali, as empresas contam com assessoria permanente do banco. E o mais interessante, é que uma empresa é considerada graduada quando está pronta para ABRIR SEU CAPITAL. Também é interessante entender que essas incubadoras (que posseum espaço para mais de 400 empresas simultaneamente, em vários pontos espalhados pelo país) não tem conotação tecnológica, mas sim, foco em empresas potencialmente competitivas. Visitamos uma dessas instalações e conversamos com um empresário que compra kits de avião americanos e os monta na Malásia (aviões voltados ao lazer), e outra empresária que produz biscoitos e cookies. Percebemos que a realidade presente no ambiente de negócios é muito mais simples que no Brasil. Aliás, como nos outros países que visitamos, aqui também eles usam o ranking Doing Business como medida explícita da competitividade do país e estabelecem metas em torno disso. Outra aspecto relevante é que no ambiente deles, a competitividade não se mede pelo suposto nível de inovação decorrente de automação ou coisa do gênero. A empresa de biscoitos, por exemplo, é assustadoramente artesanal para os padrões convencionais. Por exemplo, o processo de embalagem dos cookies é feito manualmente, com pessoas dedicadas exclusivamente à tarefa de arrumr os cookies nas embalagens. Apesar disso, a empresária (que possui certificação Halal, necessária para vender alimentos para mercados muçulmanos), exporta SETENTA POR CENTO da sua produção para a China e já foi até vítima de pirataria por uma grande empresa do ramo por lá. A outra empresa, a de aviões, produz 3 aviões por ano, ao custo de USD 200.000 e os exporta TODOS para a Austrália.

A tarde, após a incursão ao SME Beank e uma das instalações da sua “incubadora”, seguimos para o MPC - Malaysia Productivity Center. Para traçar um paralelo familiar para a maioria, eles podem ser comparados à Fundação Nacional da Qualidade, no Brasil. Sua missão é impulsionar a competitividade das empresas Malaias através de melhoria de processos. Da mesma forma que o SME Bank, adotam o ranking Doing Business (que usamos de parâmetro para a construção das nossas missões) como balizador das suas atividades para melhorar de posição nos vários aspectos contemplados no ranking. O foco da instituição também evoluiu de forma significativa ao longo dos anos, acompanhando a necessidade do país em termos de alavancagem das suas empresas
  • Anos 60 – Treinamento em gestão e serviços de aconselhamento
  • Início dos anos 90– pesquisas e desenvolvimento de sistemas produtivos
  • 1995 – 2000 - Produtividade e aumento de eficiência
  • Início dos anos 2000 - Benchmark e melhores práticas
  • 2005-2010 – Competitividade e inovação
  • 2010-2015 – Alto impacto, produtividade e drivers de inovação

Enfim apesar do cansaço extremo (que se acentuará nos próximos dias, como comentarei nos próximos posts), temos a sensação de que as lições da Malásia serão riquíssimas. Se a Coréia do Sul está muito a nossa frente em termos de estratégias de desenvolvimento de pequenas empresas e a Taiândia está no extremo oposto, nos parece que a malásia está no meio de um processo evolutivo necessário rumo a saltos quânticos de competitividade, que tem muito a ver com aquilo que entendemos como necessário para nosso país











Um comentário:

  1. Essa ideia de MEDIA empresa é fantástica! Temos um gap no Brasil em relação a esse segmento. Penso que há grandes oportunidades de oferta de serviços diferenciados e bastante prósperos. Mas o nome Sebrae não tem aderência às necessidades delas, certamente. Rosângela A.

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