Hoje aproveitamos um lance de sorte. Já há algum tempo esta missão está programada, com datas e locais definidos com bastante antecedência. Após termos fechado todo o programa, descobrimos que ontem, dia 12/06, aconteceria em Seoul uma confereência promovida pelo SBC (Small Business Corporation) da Coréia, com participação dos países da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation) para tratar de temas relacionados a pequenas empresas e Start-ups. É por essas e outras que aquela história de "universo que conspira" tem que ter algum fundo de verdade.
E o dia foi espetacular!!!!!! Fizemos vários contatos de altíssimo nível e pudemos compreender um pouco mais acerca dos mecanismos de apoio ao desenvolvimento a partir de pequenos negócios não apenas da Coréia do Sul, mas em vários outros lugares da região. A seguir, compartilho algumas reflexões que surgiram em nossa reunião de wrap-up de ontem, sem a preocupação de que elas obedeçam a uma ordem lógica:
E o dia foi espetacular!!!!!! Fizemos vários contatos de altíssimo nível e pudemos compreender um pouco mais acerca dos mecanismos de apoio ao desenvolvimento a partir de pequenos negócios não apenas da Coréia do Sul, mas em vários outros lugares da região. A seguir, compartilho algumas reflexões que surgiram em nossa reunião de wrap-up de ontem, sem a preocupação de que elas obedeçam a uma ordem lógica:
- As políticas implantadas pelas instituições de apoio são políticas com foco estritamente conectado ao objetivo estratégico do País! E aqui, estamos falando de desenvolvimento, não de assistencialismo ou subsistência. Há 20 anos atrás a região mais próspera de Seoul, onde hoje fica o centro financeiro, era uma beira de rio sem absolutamente nada. Quando comparamos a situação econômica da Coréia com a do Brasil, o primeiro impulso é imaginar que nem tudo que se aplica em um é viável no outro, já que a Coréia está alguns degraus acima de nós no que tange ao desenvolvimento econômico Entretanto, quando a política vigente foi implantada, a mesma Coréia estava muitos degraus abaixo do Brasil. Era um dos países mais pobres do mundo, com renda per capita bem abaixo da brasileira (os números estarão detalhados no livro que publicaremos até o final do ano). Entretanto, a escolha estratégica foi pelo desenvolvimento tecnológico. A aposta feita (e mantida até hoje) não está em números astronômicos que dizem muito pouco do ponto de vista do resultado efetivo, mas sim, em empresas que, embora pequenas, tivessem potencial de se tornar gigantes que carregam e impulsionam toda a economia, gerando não 10 ou 15 empregos, mas milhares de postos de trabalho. Foco! E, o resultado, todos conhecem;
- Quando falo de foco, remeto ao post anterior, em que mencionei a escolha estratégica da Coreia do Sul no que tange à sua alternativa para desenvolvimento econômico: país sem recursos naturais que optou pela agregação de valor e exportação como caminho. E as escolhas das agências de apoio aos pequenos negócios vão nesta direção. Não entram nos programas de apoio as empresas que querem. O apoio é direcionado a empresas que tenham potencial de crescer. Opção pela competitividade em sintonia com a politica de estado.
- A estrutura de suporte às MPEs na Coréia assumem responsabilidade concreta em termos de metas de resultado efetivo. Em outras palavras, as metas estão relacionadas à participação das MPEs no PIB do país, nas exportações e na geração de empregos. O resultado não se mede pelo número de empresas atendidas, mas sim, em função do que foi gerado pela implementação das políticas. A visão é de longo prazo, e não imediatista;
- Em outras palavras, é como a história do ovo e da galinha. Não dá pra saber quem influencia quem. Se o governo molda as instituições de apoio aos pequenos negócios, ou se são as instituições que apresentam propostas concretas e de longo prazo, com assunção de responsabilidades e metas que influenciem a nação na busca por um caminho a partir dos pequenos negócios. Eles tem, de forma muito clara, a percepção de que é preciso diversificar a economia coreana para reduzir a dependência dos grandes conglomerados. Estes empregam cada vez menos. E a saída está, como sempre, no viés dos pequenos negócios. Mas volto a dizer, nada parecido com uma ação massificada que lembra uma avalanche de pequenas ações pontuais de efetividade questionável. Mas sim, programas de longo prazo que assumam responsabilidade efetiva pelo desenvolvimento da empresa com enfoque global, amplo, e de competitividade de classe mundial;
- Em que pesem as diferenças de foco, o SEBRAE é uma das instituições mais efetivas do mundo em termos de apoio aos pequenos negócios. Mas ainda assim, percebe-se que a presença global da instituição é tímida. Por exemplo, um dos palestrantes veio da Kauffman Foundation, instituição americana de apoio ao empreendedorismo que não tem, nem de longe, a abrangência e relevância do Sebrae. Mas na conferência, ninguém tinha ouvido falar do SEBRAE. Este tipo de intercâmbio EFETIVO (que vai além da troca de cartões de visita e da construção de bancos de dados de instituições ao redor do mundo) é de suma importância, pois permite o intercâmbio de melhores práticas e o aprendizado com quem já percorreu o caminho que precisamos perceber (e aqui falo de País, e não apenas do Sebrae...). Sempre há um caminho mais curto e efetivo. Precisamos saber quais são.
- Nessa mesma linha, vejo o tamanho do espaço existente para o debate sobre os rumos da política de desenvolvimento de pequenos negócios no Brasil. Não é possível pensar em pequenos negócios no nosso país sem considerar a importância e relevância dos milhões de micro empresas que são parte fundamental da economia. Mas a impressão é que apenas isso não basta. E, principalmente, que esta visão mais conectada ao dia a dia e à necessidade de contribuir com a própria subsistência das micro empresas, não é incompatível (ao contrário, é complementar) com a possibilidade de se ter uma política e um viés que, somando-se ao anterior, tenha foco efetivo no desenvolvimento dos chamados "Hidden Champions" da Coréia. Resultados que serão sentidos em 10 ou 15 anos, mas que se perseguidos de forma consistente, aí sim, mudam o patamar do PAÍS do ponto de vista da sua competitividade internacional e da sua inserção efetiva nos mercados globais com produtos de alto valor agregado, em substituição à tremenda dependência das commodities que hoje vigora.
- Tudo que vimos até aqui no que tange a programas de formação, capacitação e desenvolvimento focam, essencialmente, no indivíduo! O centro das atenções é o ser humano. Os programas de formação são concentrados no desenvolvimento de atitudes, porque são os indivíduos por trás das empresas que fazem a diferença. Em plena sintonia com os insights que recebemos da sociedade e dos parceiros através do Programa SEBRAE/PR 2022;
- Nesta linha, o desenvolvimento de pequenas empresas de classe mundial com foco em competitividade global passa cada vez mais a colocar a importância dos modelos ou planos de negócio em terceiro ou quarto plano. Pode parecer estranho, mas a lógica é simples: um bom modelo de negócios sem capacidade de execução não serve para absolutamente nada! Assim como eles também percebem que venture capital não é a "bala de prata" do desenvolvimento de start-ups. Recurso disponível sem saber o que fazer com ele é mortal. Toda a discussão gira em torno de etapas que antecedem a escolha do modelo de negócios que passam pelo desenvolvimento do empreendedor, pela processo de "inspiracão" para empreender, na escolha do empreendedorismo como PROFISSÃO (não como um fator isolado ou temporal), construção de redes de contatos e suporte, geração e validação de idéias, para, aí sim e só então, pensar no modelo de negócios;
- Todos também reforçam a importância da mentoria para o sucesso de novas empresas. Mais uma vez, em sintonia com o SEBRAE/PR 2022;
- Quanto ao papel do governo, o que se discute é que o foco do governo não deve ser induzir o empreendedorismo ou ensinar ao empreendedor como empreender. Deve ser remover obstáculos e promover a cultura empreendedora desde cedo, nas escolas e na sociedade;
- E finalmente, apenas para se ter uma ideia da força do apoio aos pequenos negócios na Coréia, o SBC, instituição que tem papel parecido com o do SEBRAE por aqui, teve em 2011 um orçamento de USD 6.3 bilhões. Não, eu não escrevi errado... são USD 6.3 bilhões de dólares. Muitas conclusões a serem derivadas deste número, mas esta ficarão para um próximo post...
Nossa!! Perdi até o folego com tanta informação. Sem dúvida, há muitas instituiçoes por aí que fazem menos do que nós, mas falam mais e aparecem muito. Quem está errado? Acho que precisamos sair do "ninho" e nos mostrarmos para o mundo. Bem legal poder acompanhar a jornada pela Asia. abraço aos demais companheiros de viagem. Rosãngela A.
ResponderExcluirAllan, muito legal o blog. E parabéns pela riqueza de informações e análises bem pertinentes!!! Temos muito o que aprender com a Asia! Com seu excelente texto, fica mais instigante. Que bom que o Sebrae 2022 está no rumo certo. Leandro Donatti.
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